Projeto auxilia inclusão de refugiadas e migrantes no mercado de tecnologia

Toti Diversidade é a primeira plataforma de ensino e inclusão de mulheres com esse perfil no mercado de trabalho de TI

Não é segredo que a desigualdade de gênero no País afeta milhares de brasileiras, por meio de diferenças salariais, oportunidades limitadas, assédio e discriminação. Contudo, no caso de mulheres refugiadas e migrantes, esses desafios são ainda maiores, já que lidam com a barreira da língua, a falta de reconhecimento de suas qualificações e diplomas e outros preconceitos culturais.  

Para minimizar esses problemas e garantir a inserção no mercado de trabalho com dignidade, a empresa Toti Diversidade mantém um projeto que busca auxiliar migrantes e refugiados, entre eles, as mulheres vindas de outros países. O diferencial é que a consultoria escolheu a área de tecnologia para aplicar cursos – um segmento com alto índice de empregabilidade. 

Por meio de parcerias com empresas privadas, a Toti abre turmas gratuitas em temas específicos, sempre respeitando as demandas do mercado em tecnologia e programação, como análise de dados, Power BI, Back-End, Front End, entre outros. 

Uma das alunas beneficiadas é Bianda Woobie, haitiana que veio para o Brasil com 18 anos, buscando uma vida mais segura e estável. Na chegada ao País, temia não achar um emprego por conta da falta de experiência e por não falar português, apesar do domínio de espanhol. 

Porém, Bianda precisava arrumar logo um emprego para se sustentar em território brasileiro: “Fiquei preocupada em demorar muito para conseguir uma vaga, mas logo apareceu um estágio. Não foi um emprego dos sonhos, mas ajudou”. Ela conta que no momento mais difícil, quando não tinha expectativa de ser efetivada na empresa, conheceu a Toti Diversidade pelo LinkedIn. Mesmo sem nenhum conhecimento prévio ou interesse pelo mercado de tecnologia, decidiu arriscar, já que, para Bianda, até o emprego mais simples, quando se é refugiado ou migrante, é difícil conseguir. 

Atualmente, depois de realizar o curso de Generalista de TI disponibilizado pela Toti, a jovem haitiana trabalha no banco Neon e enxerga várias oportunidades e perspectivas de crescimento profissional no mercado de tecnologia. 

“Eu continuo na mesma empresa que a Toti me ajudou a entrar, que é a Neon. Comecei como analista de tecnologia 1, e hoje trabalho numa equipe de Back-End. Contando com a experiência que venho adquirindo no banco e com o aprendizado na Toti, pretendo ir para área de desenvolvimento daqui a dois ou três anos ou em outra dentro da tecnologia”, pontua. 

Outra mulher beneficiada é a venezuelana Lisbeth Toledo, formada pela Toti Diversidade em Power BI e análise de dados e posteriormente contratada na empresa Kontik por meio do serviço de parcerias da Toti. 

Na Venezuela, Lisbeth se formou em engenharia e trabalhava em uma transnacional de telecomunicações na área de negócios nacionais e internacionais como coordenadora, focada em análise de dados. Ao chegar no Brasil, ela conta que teve dificuldade de achar emprego, justamente por ter um currículo recheado.

“Eu tive que tirar algumas coisas do meu currículo. Era questionada sobre as minhas pós-graduações, sobre ser formada em Engenharia. Tive que mentir o meu currículo, não para dar um plus nele, mas para tirar os plus que existiam. Só assim consegui uma vaga em um call center, mas então veio a pandemia, perdi esse emprego. Depois comecei a trabalhar em outro call center”, conta.

Lisbeth teve o primeiro contato com a Toti ao buscar informações na internet sobre programas de voluntariado no Brasil: “Gostei do propósito deles e vi que havia um curso para pessoas migrantes de graça. Me inscrevi pela primeira vez e não consegui. Fiquei triste, mas não desisti e depois passei. Vi que era uma oportunidade de melhor salário, uma melhor posição no mercado”.

Atualmente, Lisbeth trabalha na área de tecnologia na agência de viagens Kontik, auxiliando o departamento de suporte, na área de Power BI. Segundo ela, o emprego só foi possível por conta da formação na Toti Diversidade que abriu as portas para o mercado de tecnologia.

“A empresa Kontik viu meu currículo e contactou a Toti. Fiz todo o processo e, desde setembro de 2023, estou contratada, aprendendo muito e aproveitando a oportunidade”.

As informações sobre os programas da Toti para migrantes e refugiados podem ser obtidas no site da empresa: https://totidiversidade.com.br/.

(Rafaela Eid, da Agência Pauta Social)

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